quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

A Passagem do ano

O último dia do ano

Carlos Drummond de Andrade

PASSAGEM DO ANO

O último dia do ano
não é o último dia do tempo.
Outros dias virão
novas coxas e ventres te comunicarão o
[ calor da vida.
Beijarás bocas, rasgarás papéis,farás viagens e tantas celebrações
de aniversário, formatura, promoção, glória,
[ doce morte com sinfonia e coral,
que o tempo ficará repleto e não ouvirás o
[ clamor,os irreparáveis uivos
do lobo, na solidão.
O último dia do tempo
não é o último dia de tudo.
Fica sempre uma franja de vida
onde se sentam dois homens.
Um homem e seu contrário,
uma mulher e seu pé,
um corpo e sua memória,
um olho e seu brilho,
uma voz e seu eco,
e quem sabe até se Deus...
Recebe com simplicidade este presente do
[ acaso.
Mereceste viver mais um ano.
Desejarias viver sempre e esgotar a borra dos
[ séculos.
Teu pai morreu, teu avô também.
Em ti mesmo muita coisa já expirou, outras
[ espreitam a morte,
mas estás vivo. Ainda uma vez estás vivo,
e de copo na mão esperas amanhecer.
O recurso de se embriagar.
O recurso da dança e do grito,
o recurso da bola colorida,
o recurso de Kant e da poesia,
todos eles... e nenhum resolve.
Surge a manhã de um novo ano.
As coisas estão limpas, ordenadas.
O corpo gasto renova-se em espuma.
Todos os sentidos alerta funcionam.
A boca está comendo vida.
A boca está entupida de vida.
A vida escorre da boca,
lambuza as mãos, a calçada.
A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Resoluções de ano novo



Tava assistindo uma reportagem sobre as resoluções de ano novo que as pessoas costumam fazer todo final de ano. Nunca fiz. Nunca consegui decidir que resoluções seriam prioritárias na minha vida, além do óbvio.




Ai, me lembrei deBridget Jones e suas resoluções de ano novo. Acho que, de todas as que eu li, são as melhores.




Talvez porque ela seja igual à maioria das mulheres que eu conheço, ou porque ela tem a coragem de dizer aquelas barbaridades (que no fundo são verdade absoluta). Então, adaptando a lista de Bridget Jones, aí vai a minha 1° lista de resoluções de ano novo:









Não Vou




Desperdiçar dinheiro com: produtos de beleza que jamais usarei, livros de autores ilegíveis , que só servem para impressionar na estante; lingerie exótica, inútil já que eu não tenho namorado.


Ficar pela casa em atitudes indecorosas, mas sim lembrar que tem gente olhando.



Gastar mais do que ganho.


Perder o controle dos tarbalhos dos meus alunos pra corrigir.


Ficar interessada por nenhum dos seguintes tipos: alcoólatras. workaholics, homens com horros a comprimisso, os que tem mulheres ou namoradas, misóginos, megalomaníacos, chauvinistas, babacas emocionais ou interesseiros, pervertidos.



Ficar aborrecida por causa do meu pai, Leila ou minha mãe.


Ficar irritada por causa de homem, mas sim ser sensata e fria como gelo.


Endoidar por causa de homem, mas sim ter relações baseadas numa avaliação madura da personalidade.



Falar mal de ninguém pelas costas, mas sim ter uma postura positiva em relação a todo mundo.


Ficar obcecada por (prefiro não comentar), já que é patético ter uma queda pelo melhor amigo, tipo "o casamento do meu melhor amigo" ou coisa parecida.



Ficar deprimida por não ter namorado, mas sim desenvolver equilíbrio interior e autoridade, e a certeza de que sou uma mulher densa e completa, mesmo sem nanorado, como a melhor forma de conseguir um.






Eu Vou


Parar de comer porcarias o tempo todo.



Reduzir a circunferênia da minha barriga uns vinte centímetros, fazendo... sei lá, dieta?


Tirar tudo que é irrelevante do meu quarto.


Dar aos pobres todas as roupas que não uso há mais de dois anos.


Inverstir na profissão e entrar no mestrado.


Economizar, fazendo uma poupança.


Ser mais segura.


Ser mais firme.


Aproveitar melhor o tempo.


Não ficar enfiada em casa só lendo livros mas arrumar uma baladinha de vez em quando.


Ser mais gentil e ajudar os outros.


Comer mais salada.



Sair da cama assim que acordar.



Caminhar pelo menos 3 vezes por semana, não só pra comprar pão.



Revelar as fotos do computador.



Criar uma relação sólida com um adulto responsável.


Limpar meu carro uma vez por semana.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Paz?

Sabe... Tava pensando hoje que ontem fugi da terapia e hoje o Márcio me achou e deu um jeito de me encaixar... Terapia pra mim é um negócio muito punk, porque me faz olhar pra dentro de mim... e dói pra caramba! Acho que é por isso que eu choro.Mas não é sobre isso que eu queria falar. Ah! Minha mente perturbada e suas voltas intermináveis! Voltando...

Então, nessas últimas semanas estou me sentindo, como poderia dizer, o mais próximo de paz que cheguei em muito tempo. Não é o ideal, but... Como diria Lady Kate para sua 'pima Bebel': "Bom, bom, bom não tá não, mas tá bom..."
Se não é um estado de paz posso considerar um período de 'bandeira branca'. Será o Natal? Recebi no orkut hoje a seguinte mensagem:

"Minha concepção do natal, seja ele à moda antiga ou mais moderno, é algo bastante simples: amar uns aos outros. Mas, pense comigo, por que nós temos que esperar pelo Natal para agir assim?" (Bob Hope)

Acho que dá pra terminar assim. Pra não estragar o momento. Ficarei calada. Pelo menos uma vez na vida.
Daqui desse momento
Do meu olhar pra fora
O mundo é só miragem
A sombra do futuro
A sobra do passado
Assombram a paisagem
Quem vai virar o jogo e transformar a perda
Em nossa recompensa
Quando eu olhar pro lado
Eu quero estar cercado só de quem me interessa
Às vezes é um instante
A tarde faz silêncio
O vento sopra a meu favor
Às vezes eu pressinto e é como uma saudade
De um tempo que ainda não passou
Me traz o teu sossego
Atrasa o meu relógio
Acalma a minha pressa
Me dá sua palavra
Sussurre em meu ouvido
Só o que me interessa
A lógica do vento
O caos do pensamento
A paz na solidão
A órbita do tempo
A pausa do retrato
A voz da intuição
A curva do universo
A fórmula do acaso
O alcance da promessa
O salto do desejo
O agora e o infinito
Só o que me interessa...

Lenine