
A Nana me mandou esse poema por scrap, depois das conversas que andamos tendo sobre nossas vidas amorosas... Pancada! Merece registro.
Erro
Erro é teu. Amei-te um dia com esse amor passageiro que nasce na fantasia e não chega ao coração; não foi amor, foi apenas uma ligeira impressão; um querer indiferente, em tua presença, vivo, morto, se estavas ausente; e, se ora me vês esquivo, se, como outrora, não vês meus incensos de poeta ir eu queimar a teus pés é que — como obra de um dia, passou-me esta fantasia. Para eu amar-te, devias outra ser e não como eras. Tuas frívolas quimeras, teu vão amor de ti mesma. Essa pêndula gelada que chamavas coração, eram bem fracos liames para que a alma enamorada me conseguissem prender; foram baldados tentames, saiu contra ti o azar, e, embora pouca, perdeste a glória de me arrastar ao teu carro… vãs quimeras! Para eu amar-te devias outra ser e não como eras…
Machado de Assis(1839-1908)
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